Loopinpindorama, 2026
Curadoria de Felipe Molitor
Galeria Martins & Monteiro, São Paulo
Curadoria de Felipe Molitor
Galeria Martins & Monteiro, São Paulo
Loopinpindorama, 2026
Curated by Felipe Molitor
Martins & Monteiro Gallery, São Paulo
Curated by Felipe Molitor
Martins & Monteiro Gallery, São Paulo
3NÓS3; Ava Rocha; Frederico Ravioli; Helena Ramos; João Livra; Lia D Castro; Luiz Roque; Lydia Okumura; Manoela Cezar; Pontogor; Rafael França; Renato Pera; Thomaz Rosa; Aline Motta; Anna Bella Geiger; Cinthia Marcelle; Dias & Riedweg; Felipe Barsuglia; Guerreiro do Divino Amor; Jota Mombaça; Juraci Dórea; Nicolas Thomé Zetune; Regina Silveira; Sonia Andrade; Wisrah C. V. da R. Celestino.







Fotos: Estúdio em Obra
De 20 de agosto a 19 de setembro, Martins&Montero apresenta, em São Paulo, loopinpindorama, exposição coletiva que articula obras do acervo da galeria e de artistas convidados, aproximando diferentes gerações e linguagens a partir de recorrências, continuidades, desvios e interrupções na produção artística brasileira. A mostra tem curadoria de Felipe Molitor.
A palavra-valise que intitula a exposição nasce de uma sobreposição imperfeita: looping — termo associado, no campo audiovisual, à repetição contínua de uma sequência — aglutina-se à Pindorama, topônimo de origem tupi relacionado ao território hoje chamado Brasil. A palavra inventada condensa, a partir de suas voltas sonoras, uma sensação familiar e ao mesmo tempo inquietante: a de algo que retorna, se realimenta e insiste em continuar. Em um ano novamente atravessado por eleições gerais, loopinpindorama toma esse movimento menos como tema do que como condição: em vez de propor um retrato do país, a exposição se detém sobre imagens, formas e impasses que reaparecem através do tempo.
A mostra parte também de uma leitura do próprio percurso de Martins&Montero: um núcleo importante de trabalhos pertence ao seu acervo ou se vincula à essência experimental e às articulações intergeracionais que marcam sua trajetória. A esse núcleo somam-se artistas convidados, cujas pesquisas ampliam, deslocam ou tensionam essas relações, fazendo da exposição um encontro entre histórias já construídas e afinidades ainda possíveis.
Organizada em dois momentos, loopinpindorama se apresenta primeiro como uma antologia da videoarte no Brasil. Em uma única projeção, trabalhos realizados em diferentes momentos históricos martinsemontero.comaparecem segundo uma sequência variável. Essa antologia, no entanto, funciona como um dispositivo de cinemática própria: autoria e sequência não são imediatamente reveladas, e o público interfere no que está sendo exibido, podendo permanecer diante de uma obra ou precipitar a chegada da seguinte. O dispositivo incorpora, assim, um regime contemporâneo de atenção — no qual passar, interromper e procurar a próxima imagem se tornaram gestos ordinários — sem tomá-los apenas como déficit ou perda. Ao mesmo tempo, desloca para o espectador uma parcela do poder de decisão normalmente concentrado na programação curatorial: uma escolha individual passa a incidir sobre a experiência coletiva.
Em um segundo momento, pinturas, fotografias, esculturas, objetos e instalações substituem a sucessão temporal do vídeo por relações de proximidade, contiguidade ou disparidade. Trabalhos de Lydia Okumura, Rafael França, Ava Rocha, Lia D Castro e Pontogor, entre outros, são aproximados por ressonâncias e fricções formais, materiais ou conceituais, sem que essas relações se estabilizem em uma narrativa linear.
Em destaque, TV (2018), de Luiz Roque, articula vídeo e escultura em uma estrutura branca de grandes dimensões, em forma de L, sobre a qual repousa um volume circular de madeira. Em uma das extremidades, um monitor exibe figuras geométricas coloridas que deslizam continuamente, à maneira de um antigo protetor de tela. Entre aparelho eletrônico, escultura, arquitetura e imagem em movimento, a obra reúne algumas das ambiguidades da exposição: aquilo que parece avançar permanece em circuito; o que pertence a um passado tecnológico retorna como imagem; o que deveria funcionar apenas como suporte adquire corpo e passa a ocupar o espaço.
Mais do que organizar uma narrativa sobre o Brasil que foi e o Brasil que é, loopinpindorama se instala no intervalo entre ambos. O passado retorna e é reatualizado no presente; o futuro, por vezes, aparece como mera continuidade. Entre permanecer e passar, reconhecer e interromper, a exposição se pergunta o que fazer diante daquilo que insiste em se repetir.
Felipe Molitor
A palavra-valise que intitula a exposição nasce de uma sobreposição imperfeita: looping — termo associado, no campo audiovisual, à repetição contínua de uma sequência — aglutina-se à Pindorama, topônimo de origem tupi relacionado ao território hoje chamado Brasil. A palavra inventada condensa, a partir de suas voltas sonoras, uma sensação familiar e ao mesmo tempo inquietante: a de algo que retorna, se realimenta e insiste em continuar. Em um ano novamente atravessado por eleições gerais, loopinpindorama toma esse movimento menos como tema do que como condição: em vez de propor um retrato do país, a exposição se detém sobre imagens, formas e impasses que reaparecem através do tempo.
A mostra parte também de uma leitura do próprio percurso de Martins&Montero: um núcleo importante de trabalhos pertence ao seu acervo ou se vincula à essência experimental e às articulações intergeracionais que marcam sua trajetória. A esse núcleo somam-se artistas convidados, cujas pesquisas ampliam, deslocam ou tensionam essas relações, fazendo da exposição um encontro entre histórias já construídas e afinidades ainda possíveis.
Organizada em dois momentos, loopinpindorama se apresenta primeiro como uma antologia da videoarte no Brasil. Em uma única projeção, trabalhos realizados em diferentes momentos históricos martinsemontero.comaparecem segundo uma sequência variável. Essa antologia, no entanto, funciona como um dispositivo de cinemática própria: autoria e sequência não são imediatamente reveladas, e o público interfere no que está sendo exibido, podendo permanecer diante de uma obra ou precipitar a chegada da seguinte. O dispositivo incorpora, assim, um regime contemporâneo de atenção — no qual passar, interromper e procurar a próxima imagem se tornaram gestos ordinários — sem tomá-los apenas como déficit ou perda. Ao mesmo tempo, desloca para o espectador uma parcela do poder de decisão normalmente concentrado na programação curatorial: uma escolha individual passa a incidir sobre a experiência coletiva.
Em um segundo momento, pinturas, fotografias, esculturas, objetos e instalações substituem a sucessão temporal do vídeo por relações de proximidade, contiguidade ou disparidade. Trabalhos de Lydia Okumura, Rafael França, Ava Rocha, Lia D Castro e Pontogor, entre outros, são aproximados por ressonâncias e fricções formais, materiais ou conceituais, sem que essas relações se estabilizem em uma narrativa linear.
Em destaque, TV (2018), de Luiz Roque, articula vídeo e escultura em uma estrutura branca de grandes dimensões, em forma de L, sobre a qual repousa um volume circular de madeira. Em uma das extremidades, um monitor exibe figuras geométricas coloridas que deslizam continuamente, à maneira de um antigo protetor de tela. Entre aparelho eletrônico, escultura, arquitetura e imagem em movimento, a obra reúne algumas das ambiguidades da exposição: aquilo que parece avançar permanece em circuito; o que pertence a um passado tecnológico retorna como imagem; o que deveria funcionar apenas como suporte adquire corpo e passa a ocupar o espaço.
Mais do que organizar uma narrativa sobre o Brasil que foi e o Brasil que é, loopinpindorama se instala no intervalo entre ambos. O passado retorna e é reatualizado no presente; o futuro, por vezes, aparece como mera continuidade. Entre permanecer e passar, reconhecer e interromper, a exposição se pergunta o que fazer diante daquilo que insiste em se repetir.
Felipe Molitor
From August 20th to September 19th, Martins&Montero presents, in São Paulo, loopinpindorama, a collective exhibition that combines works from the gallery's collection and from invited artists, bringing together different generations and languages based on recurrences, continuities, deviations and interruptions in Brazilian artistic production. The exhibition is curated by Felipe Molitor.
The portmanteau word that titles the exhibition is born from an imperfect overlap: looping — a term associated, in the audiovisual field, with the continuous repetition of a sequence — is linked to Pindorama, a toponym of Tupi origin related to the territory today called Brazil. The invented word condenses, from its sound loops, a familiar and at the same time unsettling sensation: that of something that returns, feeds itself and insists on continuing. In a year once again marked by general elections, loopinpindorama takes this movement less as a theme than as a condition: instead of proposing a portrait of the country, the exhibition focuses on images, forms and impasses that reappear over time.
The exhibition also starts from a reading of Martins&Montero's own career: an important group of works belongs to his collection or is linked to the experimental essence and intergenerational articulations that mark his trajectory. To this nucleus are added guest artists, whose research expands, shifts or tensions these relationships, making the exhibition a meeting between stories already constructed and affinities that are still possible.
Organized in two moments, loopinpindorama presents itself first as an anthology of video art in Brazil. In a single projection, works created at different historical moments martinsemontero.com appear in a variable sequence. This anthology, however, functions as its own cinematic device: authorship and sequence are not immediately revealed, and the public interferes with what is being shown, being able to remain in front of one work or hasten the arrival of the next. The device thus incorporates a contemporary regime of attention — in which passing, interrupting and searching for the next image have become ordinary gestures — without taking them merely as a deficit or loss. At the same time, it shifts part of the decision-making power normally concentrated in curatorial programming to the viewer: an individual choice now affects the collective experience.
In a second moment, paintings, photographs, sculptures, objects and installations replace the temporal succession of the video with relationships of proximity, contiguity or disparity. Works by Lydia Okumura, Rafael França, Ava Rocha, Lia D Castro and Pontogor, among others, are brought together by formal, material or conceptual resonances and frictions, without these relationships stabilizing into a linear narrative.
In particular, TV (2018), by Luiz Roque, combines video and sculpture in a large, L-shaped white structure, on which a circular wooden volume rests. At one end, a monitor displays colorful geometric figures that slide continuously, in the manner of an old screensaver. Between electronic devices, sculpture, architecture and moving images, the work brings together some of the ambiguities of the exhibition: what seems to advance remains in circuit; what belongs to a technological past returns as an image; what should only function as a support acquires body and starts to occupy the space.
More than organizing a narrative about the Brazil that was and the Brazil that is, loopinpindorama is installed in the interval between them. The past returns and is updated in the present; the future sometimes appears as mere continuity. Between remaining and passing, recognizing and interrupting, the exhibition asks what to do in the face of what insists on repeating itself.
Felipe Molitor
The portmanteau word that titles the exhibition is born from an imperfect overlap: looping — a term associated, in the audiovisual field, with the continuous repetition of a sequence — is linked to Pindorama, a toponym of Tupi origin related to the territory today called Brazil. The invented word condenses, from its sound loops, a familiar and at the same time unsettling sensation: that of something that returns, feeds itself and insists on continuing. In a year once again marked by general elections, loopinpindorama takes this movement less as a theme than as a condition: instead of proposing a portrait of the country, the exhibition focuses on images, forms and impasses that reappear over time.
The exhibition also starts from a reading of Martins&Montero's own career: an important group of works belongs to his collection or is linked to the experimental essence and intergenerational articulations that mark his trajectory. To this nucleus are added guest artists, whose research expands, shifts or tensions these relationships, making the exhibition a meeting between stories already constructed and affinities that are still possible.
Organized in two moments, loopinpindorama presents itself first as an anthology of video art in Brazil. In a single projection, works created at different historical moments martinsemontero.com appear in a variable sequence. This anthology, however, functions as its own cinematic device: authorship and sequence are not immediately revealed, and the public interferes with what is being shown, being able to remain in front of one work or hasten the arrival of the next. The device thus incorporates a contemporary regime of attention — in which passing, interrupting and searching for the next image have become ordinary gestures — without taking them merely as a deficit or loss. At the same time, it shifts part of the decision-making power normally concentrated in curatorial programming to the viewer: an individual choice now affects the collective experience.
In a second moment, paintings, photographs, sculptures, objects and installations replace the temporal succession of the video with relationships of proximity, contiguity or disparity. Works by Lydia Okumura, Rafael França, Ava Rocha, Lia D Castro and Pontogor, among others, are brought together by formal, material or conceptual resonances and frictions, without these relationships stabilizing into a linear narrative.
In particular, TV (2018), by Luiz Roque, combines video and sculpture in a large, L-shaped white structure, on which a circular wooden volume rests. At one end, a monitor displays colorful geometric figures that slide continuously, in the manner of an old screensaver. Between electronic devices, sculpture, architecture and moving images, the work brings together some of the ambiguities of the exhibition: what seems to advance remains in circuit; what belongs to a technological past returns as an image; what should only function as a support acquires body and starts to occupy the space.
More than organizing a narrative about the Brazil that was and the Brazil that is, loopinpindorama is installed in the interval between them. The past returns and is updated in the present; the future sometimes appears as mere continuity. Between remaining and passing, recognizing and interrupting, the exhibition asks what to do in the face of what insists on repeating itself.
Felipe Molitor